DESTERRO. 4

1964, 1º de abril

O Velho foi preso no primeiro dia do Golpe Militar. Empresários e políticos, que ainda estão entre nós, ficavam em frente a cela para se certificar.  Não penso nisso como ato covarde e rancoroso. Pior, soube que era para se assegurarem da prisão de um homem que eles tinham colocado numa lista preparada na véspera. A vergonha destas pessoas não produz relatos, ficamos sem as versões dos ditos-cujos.

Para aqueles que defendiam o Estado de Direito, a arbitrariedade de ser preso por razões ideológicas era, por si só, uma violência.

Naqueles primeiros dias de um regime implantado pela força, a repressão não se atreveu em infringir dor em busca de informação. Presos numa cidade pequena, intelectuais, advogados, médicos renomados, artistas e funcionários respeitados criavam uma situação incômoda. Perplexidade ainda não conhecida. O embaraço das delações e a desonra de conhecidos moldavam um tempo que apenas estava iniciando. Eu tinha só três meses.

 

(Foto de Evandro Teixeira. Na madrugada do dia 1º de abril, tropas golpistas tomam o Forte de Copacabana. Rio de Janeiro, 1964).

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Esta entrada foi publicada em 11 de setembro de 2012 às 21:57 e está arquivada sob Uncategorized. Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

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