Odiava poesia, até lia romance, contos, novela. Só não achava graça de verso. Era prosa, impulsiva e generosa. Ele amava poesia, visitava tudo que era sebo no centro da cidade. Comedido com seus principais e poucos gostos. Era verso, concisão e equilibro.
Num cenário construído por uma tênue luz de fim de tarde, ela de salto alto surge tropeçando, por paralelepípedos, numa rua estreita e laranja. Seu mau humor é cômico. Aí porque, nestas horas tudo conspira contra. Ela quebra o salto, algo irremediável. Sem pensar resolve tirar ou outro par. À luz bate em seu rosto, a segurança de andar descalça a faz sorrir de olhos fechados. Na porta da livraria ele fica encantado com o sorriso. Um sorriso que colocava o mundo sobre um velho tapete. Seus livros, seus sonhos, lembranças; tudo o que pudesse ter. O amor da família, suas esperanças mais intimas. Nada iria valer o instante que estava vivendo.
E, assim foi como os seus olhares se cruzaram pela primeira vez.

(Walter Scappini)
Primeira vez
03 sexta-feira dez 2010
Posted in Uncategorized